quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A certeza e as palavras


Sem rodapés

"Como se a vida fosse isso, uma passagem de ônibus sem volta. Uma solidão, não num campo de algodão: num estábulo, onde todos os belos cavalos sorriem, e querem não aquilo que você tem, mas o que almeja.


Um doce beijo, o resfolegar de seu hálito, ou qualquer coisa dentro doida, essas coisas que só gente louca, como você e eu, entende, esse espaço, isso, espaço, entre uma vírgula e outra, entre o texto e o subtexto, entre a boceta e o pau, isso, o espaço, o mundo é feito de espaços, o seu, o meu, o nosso, a literatura é feita de espaços. Chega de repetição.

Espaços. Ex-paços.

Um rodapé é um buraco na memória, o gozo antecipado. Um blefe de truco. Não importa, é um rodapé."

Do livro "A certeza e as palavras", de Carlos Henrique Schroeder. O tamanho do texto é inversamente proporcional àquilo que ele invoca.

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