quarta-feira, 31 de maio de 2017

Cão - Rui Xavier

"Porque a publicidade de si mesmo virou esse mel divino pelo qual todo mundo se esfalfa, porque eu sou dessa geração obcecada pela celebridade e porque mesmo o sujeito com a mais evidente vocação de nota de rodapé não se enxerga assim – eu sou publicitária, eu sei; coloque o mínimo de recursos na mão de um medíocre e ele acha que é um cristo. Até porque preferimos esquecer que é possível ser celebremente odiado, celebremente ridículo, é como se a celebridade fosse um estado de amor universal, o que não pode ser mais falso.
(...)
Eu acho que a melhor imagem para nossa sociedade é a de uma multidão se espremendo, cada pessoa em guerra franca com a outra, na plataforma de uma estação de metrô, no momento em que as portas se abrem, na hora em que os cotovelos enlouquecem.
(...)
Eu sou quem eu sou! Essa ilusão de que você pode mudar uma pessoa, de que você pode se mudar para se adequar a uma pessoa, isso é a pior cagada. É aí que tudo dá errado. As pessoas tinham que se juntar só quando elas tivessem esse amor tão profundo a ponto de envolver de carinho e tolerância até aquilo que se percebe no outro como defeito."

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